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#barreiro — Public Fediverse posts

Live and recent posts from across the Fediverse tagged #barreiro, aggregated by home.social.

  1. || CINEMANAMULA || MEMÓRIA E REPARAÇÃO

    Cooperativa Mula, terça-feira, 6 de outubro às 21:00 GMT+1

    || CINEMANAMULA || MEMÓRIA E REPARAÇÃO * Perspectivas Anticoloniais e Decoloniais *

    ~ Entrada Livre

    TER | 6 • 13 • 20 • 27 | 21h

    QUI | 8 • 15 • 22 • 29 | 21h

    SÁB 31 | 16h30 ~ 00h

    O colonialismo não é um capítulo encerrado da História, mas uma relação de poder que continua a organizar vidas, territórios e imaginários, e que exige ser combatida. Esta programação parte da necessidade de recusar narrativas que impõem uma perspectiva europeia e de olhar criticamente para o colonialismo, as suas permanências e reconfigurações. Procuramos compreender como essas relações se inscrevem no presente e como podem ser confrontadas e resistidas.

    Memória e Reparação reúne filmes que abordam situações concretas de violência colonial e as resistências que lhes fazem frente, interrogando as formas como essa violência foi registada e representada, a apropriação do património e dos territórios, bem como o racismo, o apartheid e as estruturas que os sustentam. Estas questões cruzam-se com a intimidade, a pertença e o cuidado, enquanto a imaginação de outros futuros abre espaço à possibilidade de construir para além das estruturas existentes.

    No último encontro, a conversa traz estes assuntos para o presente que partilhamos, reunindo cineastas, colectivos e associações para pôr em comum perspectivas, práticas e modos de organização a partir dos seus bairros e comunidades de proximidade.

    TER 06.10 | 21h

    Como é contada a história colonial e o que acontece quando, no presente, se confronta o seu apagamento e silenciamento? Esta sessão parte do passado colonial português e da necessidade de reconhecer a violência que durante muito tempo foi ocultada ou minimizada nas narrativas dominantes.

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    CONTOS DO ESQUECIMENTO

    Dulce Fernandes

    2023 | PT | 63’

    Achados arqueológicos recentes em Lagos, no sul de Portugal, revelaram o passado esquecido do papel de Portugal no tráfico transatlântico de africanos escravizados. Invocando a distância entre o que queremos esquecer e a urgência da memória, 'Contos do Esquecimento' é um território de revelação do passado no presente.

    QUI 08.10 | 21h

    Como olhar hoje para imagens e narrativas coloniais? Esta sessão propõe revisitar arquivos e formas de representação produzidas durante e depois do colonialismo português, interrogando o olhar que as construiu e as narrativas que dele resultaram. Ao voltar a esse material a partir do presente, abre-se espaço para questionar a forma como a história colonial foi contada.

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    A STORY FROM AFRICA

    Billy Woodberry

    2019 | EUA - PT | 32’

    A partir de fotografias produzidas por um oficial do exército português, Billy Woodberry reconstrói a história trágica de Calipalula, dignitário cuamato, cuja posição foi instrumentalizada pelas autoridades coloniais. Explorando rivalidades entre poderes locais, o exército português procurou impor o seu domínio durante a ofensiva militar de 1907, no sul de Angola. O cineasta norte-americano, um dos fundadores do movimento L.A. Rebellion, propõe uma leitura crítica deste arquivo, expondo a violência que o eufemismo “campanha de pacificação” procura ocultar e interroga os conflitos, as ausências e as relações de poder inscritas nas imagens coloniais.

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    ACTO DOS FEITOS DA GUINÉ

    Fernando Matos Silva - Cinequipa

    1980 |PT| 81’

    Filme-ensaio que parte de material filmado na Guiné em 1969 e 1970 para um retrato da relação histórica da colonização portuguesa com a compreensão de África. O filme de Fernando Matos Silva tem marcas autobiográficas e conjuga imagens documentais – imagens de guerra, cruas e extremas, a preto e branco – e de ficção – sequências a cor que encenam um “Acto” onde os “feitos” são contados por personagens que representam diretamente voltadas para a câmara.

    c/ presença do realizador

    TER 13.10 | 21h

    Esta sessão questiona a forma como bens culturais retirados, saqueados ou adquiridos sob domínio colonial foram incorporados nas coleções europeias e apresentados nos museus. A restituição torna visível essa história e abre a discussão sobre o lugar dos museus e sobre quem deve decidir o destino desse património.

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    STATUES ALSO DIE (Les statues meurent aussi)

    Alain Resnais - Chris Marker - Ghislain Cloquet

    1953 | FR | 30’

    Curta-metragem documental encomendada pela revista Présence Africaine. Partindo da questão «Por que razão a arte africana está no Museu do Homem, enquanto a arte grega ou egípcia se encontra no Louvre?», os realizadores expõem e criticam a falta de reconhecimento e de valorização da arte africana. O filme foi censurado em França durante oito anos.

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    YOU HIDE ME

    Nii Kwate Owoo

    1970 | Gana | 17’

    Uma grande quantidade de artefatos africanos antigos e raros estão escondidos em sacos plásticos e caixas de madeira no porão do Museu Britânico. Ao longo de um dia, os objetos valiosos são revelados pela primeira vez, evidenciando a vasta extensão da arte africana roubada pelas forças coloniais.

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    DAHOMEY

    Mati Diop

    2024 | Senegal FR | 68’

    Vinte e seis tesouros reais do Reino do Daomé estão prestes a deixar Paris para regressar ao seu país de origem, a actual República do Benim. Juntamente com milhares de outros, estes artefactos foram pilhados pelas tropas coloniais francesas em 1892. Que atitude tomar perante o regresso a casa destes antepassados, num país que teve de seguir em frente na sua ausência? A discussão aquece entre estudantes na Universidade de Abomey-Calavi.

    QUI 15.10 | 21h

    Esta sessão propõe desmontar uma perspectiva colonial inscrita nas imagens e nas formas de contar o passado. Reúne duas formas de investigação: uma que parte de um arquivo produzido pelos próprios sujeitos da história e outra que regressa a um arquivo encontrado para seguir as suas imagens, os seus lugares e as pessoas que nelas aparecem. De modos diferentes, ambas questionam esse olhar e trazem à tona histórias e violências que podem ser lidas a partir de outros lugares.

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    APIYEMIYEKÎ?

    Ana Vaz

    2020 | BR FR PT | 28´

    A partir de um arquivo com mais de 3.000 desenhos realizados pelos Waimiri-Atroari durante os seus primeiros processos de alfabetização, Apiyemiyekî? recupera uma memória colectiva da violência sofrida por este povo da Amazónia brasileira. Os desenhos registam encontros e impressões com o “homem civilizado”, revelando a partir do olhar de quem os realizou, as marcas da invasão das terras e a violência exercida pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar. A construção da BR-174 e a exploração mineira fazem parte desse processo de expropriação e abuso. Numa abordagem experimental, Ana Vaz sobrepõe e funde desenhos, som e imagem, criando novas relações entre os materiais do arquivo e fazendo emergir uma memória contada a partir de quem a viveu.

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    FILME PARTICULAR

    Janaína Nagata

    2022 | BR | 91'

    Documentário de desktop construído a partir de um rolo de película de 16 mm pertencente a uma família desconhecida. Este filme transforma-se numa investigação, através de uma perspetiva pós-colonial, recorrendo a ferramentas digitais e às pistas que o filme oferece, para desconstruir e investigar a origem do material e o contexto socio-político e histórico que o circunda, nomeadamente o Apartheid na África do Sul.

    TER 20.10 | 21h

    A ocupação de um território envolve violência, deslocação e destruição, mas também a tentativa de apagar as marcas de quem o habita. Na Palestina, o genocídio e a destruição de lugares, memórias e arquivos fazem parte dessa violência. Esta sessão olha para a relação entre território e memória e para as formas como imagens, lugares e arquivos podem contrariar esse apagamento.

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    UNDR

    Kamal Aljafari

    2024 | PA | 15’

    O olhar de um helicóptero varre o deserto, inspecionando uma terra simultaneamente antiga e moderna, natural e construída. Agricultores cultivam os seus campos, crianças brincam e os sinos tocam para a oração. A dinamite rompe a terra. UNDR é um pungente ensaio cinematográfico feito a partir de imagens de arquivo recolhidas sobre uma paisagem de outro mundo, carregada de história e potencial, que se transformou num inquietante cenário de vigilância e incursão.

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    A FIDAI FILM

    Kamal Aljafari

    2024 | PA - Brazil - DE - FR - Qatar | 77’

    No verão de 1982, o exército israelita invadiu Beirute, e o Centro de Investigação Palestiniano saqueando todo o seu arquivo. Este acervo que integra documentos históricos e imagens fixas e em movimento da Palestina torna-se a premissa de A Fidai Film, que explora a memória visual desse roubo por meio de imagens agora mantidas em arquivos israelitas. Face a estes atos de expropriação e apropriação, A Fidai Film propõe uma contra-narrativa desta perda, de forma a restaurar os vestígios da história pilhada da Palestina. O cineasta assume o papel de um 'sabotador', criando um contra-arquivo a partir de imagens reapropriadas, subvertendo a ficção para revelar uma outra realidade.

    QUI 22.10 | 21h

    Longe de encerrar os processos de exploração e desigualdade, o fim formal do colonialismo viu estas estruturas perpetuarem-se no capitalismo contemporâneo. Esta sessão debruça-se sobre a exploração da terra, dos recursos e dos corpos, problematizando o extrativismo enquanto engrenagem dessa mesma continuidade.

    As lutas pela recuperação e defesa dos territórios são o reflexo de uma resistência que recusa ser apagada da história

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    TIME TO CHANGE / HORA DE MUDAR

    Pocas Pascoal

    2024 | BR PT | 5’

    Filme experimental que relaciona colonialismo, capitalismo e destruição ambiental. Através de imagens e associações poéticas, questiona como a exploração da terra, dos ecossistemas e das pessoas se prolonga no presente.

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    NUESTRA VOZ DE TIERRA, MEMORIA Y FUTURO

    Marta Rodríguez e Jorge Silva

    1982 | Colombia | 90’

    Documentário poético feito em colaboração com comunidades indígenas do Cauca. Acompanha a luta pela recuperação de terras ancestrais e articula observação, mitologia e cosmologia indígena, afirmando a cultura como instrumento de resistência à opressão colonial e latifundiária.

    TER 27.10 | 21h

    A violência colonial atinge os corpos, as relações e os afectos, e os seus efeitos fazem-se sentir na vida quotidiana. Esta sessão aborda questões de racismo, marginalização, intimidade e pertença, aproximando-se de práticas de cuidado e descanso e das possibilidades de resistência e liberdade.

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    MANCHÊ BOM

    Sara Fonseca da Graça

    2021| PT |12´

    Travessia filmada entre o Miratejo e Belém, acompanhando a artista enquanto transporta uma pintura através do Tejo. Entre texto, performance e paisagem urbana, o filme reflete sobre marginalização, violência, reparação, descanso e o direito de imaginar um lugar de liberdade para os corpos negros.

    Obra coproduzida pelo Teatro do Bairro Alto e integrada no projeto digital Primeiro Rascunho; edição e montagem pela Nêga Filmes.

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    MILISUTHANDO

    Milisuthando Bongela

    2023 | África do Sul - Colômbia| 128’

    Ensaio documental que constitui uma exploração poética e pessoal baseada na memória sobre identidade etnoracial, intimidade e o pós-apartheid na África do Sul. A obra acompanha a perspetiva da realizadora, que cresceu sem consciência do regime segregacionista do Transkei até à queda do sistema, estruturando-se em cinco atos e três universos ao longo de três décadas.

    QUI 29.10 | 21h

    A imaginação de outros futuros permite pensar para além das estruturas que organizam o presente. Esta sessão recorre à ficção e ao afrofuturismo para desafiar dinâmicas de poder, exploração e dominação, procurando, assim, outras formas de viver e organizar a vida coletiva.

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    NEPTUNE FROST

    Saul Williams e Anisia Uzeyman

    2021 | Ruanda - EUA |110’

    Numa lixeira virtual de resíduos eletrónicos que parece pertencer a outro mundo, um grupo de mineiros de coltan fugitivos une-se para formar um coletivo de hackers informáticos anticolonialistas. A partir deste acampamento improvisado, planeiam derrubar o regime autoritário que explora os recursos naturais da região — e o seu próprio povo. Quando uma jovem fugitiva intersexo e um mineiro em fuga se encontram através de forças cósmicas, a profunda ligação e união entre ambos gera uma falha no sistema e aciona interferências no grande circuito divino global.

    SÁB 31.10 | 16h30

    A sessão final propõe um momento de reflexão coletiva sobre a realidade local, reunindo realizadores/as e coletivos ligados às lutas antirracistas e anticoloniais.

    Os filmes desta sessão aproximam-se das marcas da história colonial portuguesa no presente, através da memória, da migração, da pertença, dos afetos e das formas de viver. Entre o íntimo e o coletivo, mostram como o racismo e as continuidades coloniais atravessam relações, percursos, desejos e imaginários.

    Partindo das temáticas abordadas nos filmes selecionados, serão colocadas em discussão as formas de resistência e as possibilidades de construção de outros modos de relação, pertença e comunidade.

    Depois dos filmes, a conversa reunirá cineastas, coletivos, associações e outras pessoas convidadas para partilhar práticas e perspetivas sobre estas questões, bem como para conversar sobre formas de apoio mútuo e organização coletiva.

    O encontro termina com um jantar comunitário, como espaço de convívio, partilha e continuidade da conversa.

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    NÃO SÃO ÁGUAS PASSADAS

    Viviane Rodrigues

    2025|BR - PT|20’

    Entre Lisboa e Lagos, cidades centrais no tráfico transatlântico de pessoas africanas escravizadas, este documentário revela a romantização de um dos piores episódios da história portuguesa, o colonialismo. Transitando entre a terra e o alto-mar das duas cidades, a voz do togolês Naky Gaglo reflecte sobre o silenciamento político e histórico das comunidades africanas (fundamentais para o desenvolvimento do país) por parte do Estado português, e relembra a sua responsabilidade com o passado e com as novas formas de construir um futuro.

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    UM RIO CHAMADO COMBOIO DA LINHA DE SINTRA

    Maíra Zenun

    2021 | PT | 12’30’’

    O enredo assume-se como um rascunho poético e uma reflexão crua sobre o movimento de corpos na periferia de Lisboa. A narrativa funciona como um diário poético e experimental, dividido em seis capítulos, que serve como rascunho estético e registo documental de um processo de pesquisa iniciado em 2021. O filme foca-se na "escrevivência" construída a partir de diferentes vozes, imagens, sons e reflexões ao caminhar e habitar a Linha de Sintra — pensada aqui não apenas como uma infraestrutura ferroviária, mas como um denso território humano e sociológico. É um "retrato que se vai desembaçando", uma poesia-reflexo que captura as vivências cotidianas, complexas, maternas e por vezes mesquinhas da comunidade negra, periférica e afrodescendente.

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    SABURA

    Falcão Nhaga

    2025| PT | 26’

    Nesta história de amor, um jovem casal é confrontado com um futuro incerto. Entre África e Europa, os dois reencontram-se em Lisboa, numa casa onde vivem outros migrantes, e onde a distância e a proximidade irão testar a sua relação.

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    DECOLONIZAR O PRESENTE:

    Comunidade e Resistência

    Conversa c/

    Colectivo Mukambo, DJASS - Associação de Afrodescendentes, Frente Anti-Racista, Nêga Filmes, Noz Stória

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    JANTAR COMUNITÁRIO

    reservas: [email protected]

    Entrada Livre para as sessões cinema | Jantar: 5€

    Apoio financeiro: CCDR - LVT + Cultura

    Apoio à exibição: Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, Fundación Cine Documental Investigación Social, Arsenal – Institut für Film und Videokunst e.V.

    Agradecimentos: Dulce Fernandes, Kamal Aljafari, Maíra Zenun

    🖼️ Rita Comedida

    eventos.coletivos.org/event/or

  2. || CINEMANAMULA || MEMÓRIA E REPARAÇÃO

    Cooperativa Mula, terça-feira, 6 de outubro às 21:00 GMT+1

    || CINEMANAMULA || MEMÓRIA E REPARAÇÃO * Perspectivas Anticoloniais e Decoloniais *

    ~ Entrada Livre

    TER | 6 • 13 • 20 • 27 | 21h

    QUI | 8 • 15 • 22 • 29 | 21h

    SÁB 31 | 16h30 ~ 00h

    O colonialismo não é um capítulo encerrado da História, mas uma relação de poder que continua a organizar vidas, territórios e imaginários, e que exige ser combatida. Esta programação parte da necessidade de recusar narrativas que impõem uma perspectiva europeia e de olhar criticamente para o colonialismo, as suas permanências e reconfigurações. Procuramos compreender como essas relações se inscrevem no presente e como podem ser confrontadas e resistidas.

    Memória e Reparação reúne filmes que abordam situações concretas de violência colonial e as resistências que lhes fazem frente, interrogando as formas como essa violência foi registada e representada, a apropriação do património e dos territórios, bem como o racismo, o apartheid e as estruturas que os sustentam. Estas questões cruzam-se com a intimidade, a pertença e o cuidado, enquanto a imaginação de outros futuros abre espaço à possibilidade de construir para além das estruturas existentes.

    No último encontro, a conversa traz estes assuntos para o presente que partilhamos, reunindo cineastas, colectivos e associações para pôr em comum perspectivas, práticas e modos de organização a partir dos seus bairros e comunidades de proximidade.

    TER 06.10 | 21h

    Como é contada a história colonial e o que acontece quando, no presente, se confronta o seu apagamento e silenciamento? Esta sessão parte do passado colonial português e da necessidade de reconhecer a violência que durante muito tempo foi ocultada ou minimizada nas narrativas dominantes.

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    CONTOS DO ESQUECIMENTO

    Dulce Fernandes

    2023 | PT | 63’

    Achados arqueológicos recentes em Lagos, no sul de Portugal, revelaram o passado esquecido do papel de Portugal no tráfico transatlântico de africanos escravizados. Invocando a distância entre o que queremos esquecer e a urgência da memória, 'Contos do Esquecimento' é um território de revelação do passado no presente.

    QUI 08.10 | 21h

    Como olhar hoje para imagens e narrativas coloniais? Esta sessão propõe revisitar arquivos e formas de representação produzidas durante e depois do colonialismo português, interrogando o olhar que as construiu e as narrativas que dele resultaram. Ao voltar a esse material a partir do presente, abre-se espaço para questionar a forma como a história colonial foi contada.

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    A STORY FROM AFRICA

    Billy Woodberry

    2019 | EUA - PT | 32’

    A partir de fotografias produzidas por um oficial do exército português, Billy Woodberry reconstrói a história trágica de Calipalula, dignitário cuamato, cuja posição foi instrumentalizada pelas autoridades coloniais. Explorando rivalidades entre poderes locais, o exército português procurou impor o seu domínio durante a ofensiva militar de 1907, no sul de Angola. O cineasta norte-americano, um dos fundadores do movimento L.A. Rebellion, propõe uma leitura crítica deste arquivo, expondo a violência que o eufemismo “campanha de pacificação” procura ocultar e interroga os conflitos, as ausências e as relações de poder inscritas nas imagens coloniais.

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    ACTO DOS FEITOS DA GUINÉ

    Fernando Matos Silva - Cinequipa

    1980 |PT| 81’

    Filme-ensaio que parte de material filmado na Guiné em 1969 e 1970 para um retrato da relação histórica da colonização portuguesa com a compreensão de África. O filme de Fernando Matos Silva tem marcas autobiográficas e conjuga imagens documentais – imagens de guerra, cruas e extremas, a preto e branco – e de ficção – sequências a cor que encenam um “Acto” onde os “feitos” são contados por personagens que representam diretamente voltadas para a câmara.

    c/ presença do realizador

    TER 13.10 | 21h

    Esta sessão questiona a forma como bens culturais retirados, saqueados ou adquiridos sob domínio colonial foram incorporados nas coleções europeias e apresentados nos museus. A restituição torna visível essa história e abre a discussão sobre o lugar dos museus e sobre quem deve decidir o destino desse património.

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    STATUES ALSO DIE (Les statues meurent aussi)

    Alain Resnais - Chris Marker - Ghislain Cloquet

    1953 | FR | 30’

    Curta-metragem documental encomendada pela revista Présence Africaine. Partindo da questão «Por que razão a arte africana está no Museu do Homem, enquanto a arte grega ou egípcia se encontra no Louvre?», os realizadores expõem e criticam a falta de reconhecimento e de valorização da arte africana. O filme foi censurado em França durante oito anos.

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    YOU HIDE ME

    Nii Kwate Owoo

    1970 | Gana | 17’

    Uma grande quantidade de artefatos africanos antigos e raros estão escondidos em sacos plásticos e caixas de madeira no porão do Museu Britânico. Ao longo de um dia, os objetos valiosos são revelados pela primeira vez, evidenciando a vasta extensão da arte africana roubada pelas forças coloniais.

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    DAHOMEY

    Mati Diop

    2024 | Senegal FR | 68’

    Vinte e seis tesouros reais do Reino do Daomé estão prestes a deixar Paris para regressar ao seu país de origem, a actual República do Benim. Juntamente com milhares de outros, estes artefactos foram pilhados pelas tropas coloniais francesas em 1892. Que atitude tomar perante o regresso a casa destes antepassados, num país que teve de seguir em frente na sua ausência? A discussão aquece entre estudantes na Universidade de Abomey-Calavi.

    QUI 15.10 | 21h

    Esta sessão propõe desmontar uma perspectiva colonial inscrita nas imagens e nas formas de contar o passado. Reúne duas formas de investigação: uma que parte de um arquivo produzido pelos próprios sujeitos da história e outra que regressa a um arquivo encontrado para seguir as suas imagens, os seus lugares e as pessoas que nelas aparecem. De modos diferentes, ambas questionam esse olhar e trazem à tona histórias e violências que podem ser lidas a partir de outros lugares.

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    APIYEMIYEKÎ?

    Ana Vaz

    2020 | BR FR PT | 28´

    A partir de um arquivo com mais de 3.000 desenhos realizados pelos Waimiri-Atroari durante os seus primeiros processos de alfabetização, Apiyemiyekî? recupera uma memória colectiva da violência sofrida por este povo da Amazónia brasileira. Os desenhos registam encontros e impressões com o “homem civilizado”, revelando a partir do olhar de quem os realizou, as marcas da invasão das terras e a violência exercida pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar. A construção da BR-174 e a exploração mineira fazem parte desse processo de expropriação e abuso. Numa abordagem experimental, Ana Vaz sobrepõe e funde desenhos, som e imagem, criando novas relações entre os materiais do arquivo e fazendo emergir uma memória contada a partir de quem a viveu.

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    FILME PARTICULAR

    Janaína Nagata

    2022 | BR | 91'

    Documentário de desktop construído a partir de um rolo de película de 16 mm pertencente a uma família desconhecida. Este filme transforma-se numa investigação, através de uma perspetiva pós-colonial, recorrendo a ferramentas digitais e às pistas que o filme oferece, para desconstruir e investigar a origem do material e o contexto socio-político e histórico que o circunda, nomeadamente o Apartheid na África do Sul.

    TER 20.10 | 21h

    A ocupação de um território envolve violência, deslocação e destruição, mas também a tentativa de apagar as marcas de quem o habita. Na Palestina, o genocídio e a destruição de lugares, memórias e arquivos fazem parte dessa violência. Esta sessão olha para a relação entre território e memória e para as formas como imagens, lugares e arquivos podem contrariar esse apagamento.

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    UNDR

    Kamal Aljafari

    2024 | PA | 15’

    O olhar de um helicóptero varre o deserto, inspecionando uma terra simultaneamente antiga e moderna, natural e construída. Agricultores cultivam os seus campos, crianças brincam e os sinos tocam para a oração. A dinamite rompe a terra. UNDR é um pungente ensaio cinematográfico feito a partir de imagens de arquivo recolhidas sobre uma paisagem de outro mundo, carregada de história e potencial, que se transformou num inquietante cenário de vigilância e incursão.

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    A FIDAI FILM

    Kamal Aljafari

    2024 | PA - Brazil - DE - FR - Qatar | 77’

    No verão de 1982, o exército israelita invadiu Beirute, e o Centro de Investigação Palestiniano saqueando todo o seu arquivo. Este acervo que integra documentos históricos e imagens fixas e em movimento da Palestina torna-se a premissa de A Fidai Film, que explora a memória visual desse roubo por meio de imagens agora mantidas em arquivos israelitas. Face a estes atos de expropriação e apropriação, A Fidai Film propõe uma contra-narrativa desta perda, de forma a restaurar os vestígios da história pilhada da Palestina. O cineasta assume o papel de um 'sabotador', criando um contra-arquivo a partir de imagens reapropriadas, subvertendo a ficção para revelar uma outra realidade.

    QUI 22.10 | 21h

    Longe de encerrar os processos de exploração e desigualdade, o fim formal do colonialismo viu estas estruturas perpetuarem-se no capitalismo contemporâneo. Esta sessão debruça-se sobre a exploração da terra, dos recursos e dos corpos, problematizando o extrativismo enquanto engrenagem dessa mesma continuidade.

    As lutas pela recuperação e defesa dos territórios são o reflexo de uma resistência que recusa ser apagada da história

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    TIME TO CHANGE / HORA DE MUDAR

    Pocas Pascoal

    2024 | BR PT | 5’

    Filme experimental que relaciona colonialismo, capitalismo e destruição ambiental. Através de imagens e associações poéticas, questiona como a exploração da terra, dos ecossistemas e das pessoas se prolonga no presente.

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    NUESTRA VOZ DE TIERRA, MEMORIA Y FUTURO

    Marta Rodríguez e Jorge Silva

    1982 | Colombia | 90’

    Documentário poético feito em colaboração com comunidades indígenas do Cauca. Acompanha a luta pela recuperação de terras ancestrais e articula observação, mitologia e cosmologia indígena, afirmando a cultura como instrumento de resistência à opressão colonial e latifundiária.

    TER 27.10 | 21h

    A violência colonial atinge os corpos, as relações e os afectos, e os seus efeitos fazem-se sentir na vida quotidiana. Esta sessão aborda questões de racismo, marginalização, intimidade e pertença, aproximando-se de práticas de cuidado e descanso e das possibilidades de resistência e liberdade.

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    MANCHÊ BOM

    Sara Fonseca da Graça

    2021| PT |12´

    Travessia filmada entre o Miratejo e Belém, acompanhando a artista enquanto transporta uma pintura através do Tejo. Entre texto, performance e paisagem urbana, o filme reflete sobre marginalização, violência, reparação, descanso e o direito de imaginar um lugar de liberdade para os corpos negros.

    Obra coproduzida pelo Teatro do Bairro Alto e integrada no projeto digital Primeiro Rascunho; edição e montagem pela Nêga Filmes.

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    MILISUTHANDO

    Milisuthando Bongela

    2023 | África do Sul - Colômbia| 128’

    Ensaio documental que constitui uma exploração poética e pessoal baseada na memória sobre identidade etnoracial, intimidade e o pós-apartheid na África do Sul. A obra acompanha a perspetiva da realizadora, que cresceu sem consciência do regime segregacionista do Transkei até à queda do sistema, estruturando-se em cinco atos e três universos ao longo de três décadas.

    QUI 29.10 | 21h

    A imaginação de outros futuros permite pensar para além das estruturas que organizam o presente. Esta sessão recorre à ficção e ao afrofuturismo para desafiar dinâmicas de poder, exploração e dominação, procurando, assim, outras formas de viver e organizar a vida coletiva.

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    NEPTUNE FROST

    Saul Williams e Anisia Uzeyman

    2021 | Ruanda - EUA |110’

    Numa lixeira virtual de resíduos eletrónicos que parece pertencer a outro mundo, um grupo de mineiros de coltan fugitivos une-se para formar um coletivo de hackers informáticos anticolonialistas. A partir deste acampamento improvisado, planeiam derrubar o regime autoritário que explora os recursos naturais da região — e o seu próprio povo. Quando uma jovem fugitiva intersexo e um mineiro em fuga se encontram através de forças cósmicas, a profunda ligação e união entre ambos gera uma falha no sistema e aciona interferências no grande circuito divino global.

    SÁB 31.10 | 16h30

    A sessão final propõe um momento de reflexão coletiva sobre a realidade local, reunindo realizadores/as e coletivos ligados às lutas antirracistas e anticoloniais.

    Os filmes desta sessão aproximam-se das marcas da história colonial portuguesa no presente, através da memória, da migração, da pertença, dos afetos e das formas de viver. Entre o íntimo e o coletivo, mostram como o racismo e as continuidades coloniais atravessam relações, percursos, desejos e imaginários.

    Partindo das temáticas abordadas nos filmes selecionados, serão colocadas em discussão as formas de resistência e as possibilidades de construção de outros modos de relação, pertença e comunidade.

    Depois dos filmes, a conversa reunirá cineastas, coletivos, associações e outras pessoas convidadas para partilhar práticas e perspetivas sobre estas questões, bem como para conversar sobre formas de apoio mútuo e organização coletiva.

    O encontro termina com um jantar comunitário, como espaço de convívio, partilha e continuidade da conversa.

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    NÃO SÃO ÁGUAS PASSADAS

    Viviane Rodrigues

    2025|BR - PT|20’

    Entre Lisboa e Lagos, cidades centrais no tráfico transatlântico de pessoas africanas escravizadas, este documentário revela a romantização de um dos piores episódios da história portuguesa, o colonialismo. Transitando entre a terra e o alto-mar das duas cidades, a voz do togolês Naky Gaglo reflecte sobre o silenciamento político e histórico das comunidades africanas (fundamentais para o desenvolvimento do país) por parte do Estado português, e relembra a sua responsabilidade com o passado e com as novas formas de construir um futuro.

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    UM RIO CHAMADO COMBOIO DA LINHA DE SINTRA

    Maíra Zenun

    2021 | PT | 12’30’’

    O enredo assume-se como um rascunho poético e uma reflexão crua sobre o movimento de corpos na periferia de Lisboa. A narrativa funciona como um diário poético e experimental, dividido em seis capítulos, que serve como rascunho estético e registo documental de um processo de pesquisa iniciado em 2021. O filme foca-se na "escrevivência" construída a partir de diferentes vozes, imagens, sons e reflexões ao caminhar e habitar a Linha de Sintra — pensada aqui não apenas como uma infraestrutura ferroviária, mas como um denso território humano e sociológico. É um "retrato que se vai desembaçando", uma poesia-reflexo que captura as vivências cotidianas, complexas, maternas e por vezes mesquinhas da comunidade negra, periférica e afrodescendente.

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    SABURA

    Falcão Nhaga

    2025| PT | 26’

    Nesta história de amor, um jovem casal é confrontado com um futuro incerto. Entre África e Europa, os dois reencontram-se em Lisboa, numa casa onde vivem outros migrantes, e onde a distância e a proximidade irão testar a sua relação.

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    DECOLONIZAR O PRESENTE:

    Comunidade e Resistência

    Conversa c/

    Colectivo Mukambo, DJASS - Associação de Afrodescendentes, Frente Anti-Racista, Nêga Filmes, Noz Stória

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    JANTAR COMUNITÁRIO

    reservas: [email protected]

    Entrada Livre para as sessões cinema | Jantar: 5€

    Apoio financeiro: CCDR - LVT + Cultura

    Apoio à exibição: Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, Fundación Cine Documental Investigación Social, Arsenal – Institut für Film und Videokunst e.V.

    Agradecimentos: Dulce Fernandes, Kamal Aljafari, Maíra Zenun

    🖼️ Rita Comedida

    eventos.coletivos.org/event/or