#destaques — Public Fediverse posts
Live and recent posts from across the Fediverse tagged #destaques, aggregated by home.social.
-
Review de Série: A CASA DO DRAGÃO – 3ª Temporada
House of The Dragon – Season 3 (2026)
Elenco: Emma D’Arcy, Matt Smith, Olivia Cooke, Steve Toussaint, Fabien Frankel, Ewan Mitchell, Sonoya Mizuno, Rhys Ifans, Harry Collett, Tom Glynn-Carney, Phoebe Campbell, Bethany Antonia, Phia Saban, Matthew Needham, Kieran Bew, Gayle Rankin, Abubakar Salim, Tommy Flanagan, James Norton, Dan Fogler, Jefferson Hall, Freddie Fox, Clinton Liberty, Tom Bennett, Benjamin Evan Ainsworth, Amanda Collin, Rhys Ifans
Criação: George R. R. Martin, Ryan Condal
Direção: Vários
Cotação: 4,0/5,0ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido à 3ª temporada de A Casa do Dragão, o texto a seguir contém SPOILERS.
SINOPSE
Rhaenyra Targaryen (Emma D’Arcy) alcança o objetivo pelo qual tanto lutou: o Trono de Ferro. No entanto, a vitória revela-se muito mais amarga do que esperava – Porto Real está devastada, o apoio popular é instável e Aegon II Targaryen (Tom Glynn-Carney) continua vivo, representando uma ameaça à sua reivindicação. Ainda enfrentando oposições à sua legitimidade, Rhaenyra adota medidas cada vez mais despóticas para preservar seu poder.COMENTÁRIOS
É consenso que a 2ª temporada de A Casa do Dragão foi inferior à de estreia, e aqui vai a boa notícia: esta 3ª temporada, que já começa com uma versão mais percussiva do tema de abertura de Game of Thrones, traz avanços significativos à trama da série, introduzindo novos personagens memoráveis e recolocando a guerra civil Targaryen no centro das atenções com cenas brutais e devastadoras envolvendo humanos e, obviamente, dragões. Tendo a 2ª temporada se encerrado com um episódio anticlimático que apenas preparou o cenário para a memorável Batalha da Goela, aqui já começamos com este importante e sangrento evento de Fogo e Sangue, colocado na tela com requintes cinematográficos.Se as temporadas anteriores foram mais sobre a construção da tensão e o acender do pavio do grande conflito, esta foi sua explosão. O showrunner Ryan Condal conseguiu (na maior parte do tempo) equilibrar o espetáculo épico das batalhas de dragões com o peso dramático das falhas de seus protagonistas. A devastadora Batalha da Goela era um dos momentos mais aguardados pelos leitores, que ficaram extremamente decepcionados por terem de esperar mais dois anos para vê-la finalmente ganhar vida. Mas a espera valeu a pena: a escala da batalha, combinada com a fúria dos dragões vindos dos céus, o drama de Rhaena (Phoebe Campbell) e seu dragão Roubovelhas, que resultou nas mortes de Jace (Harry Collett) e Vermax, e por fim o confronto naval entre Corlys Velarion (Steve Toussaint) e a almirante Shrarako Lohar (Abigail Thorn), resultou em uma das sequências de ação mais impressionantes da televisão. Adicionalmente, o peso emocional das perdas sofridas pelo lado Preto ditou o tom sombrio para o resto da temporada.
Com pouco tempo para recuperar o fôlego, no episódio seguinte vemos a tomada de Porto Real, quando Rhaenyra e Daemon (Matt Smith) finalmente chegam com seus dragões na Fortaleza Vermelha e reivindicam o Trono de Ferro. Foi um momento de catarse que rapidamente se transformou em apreensão, que capturou perfeitamente o vazio e a paranoia dessa vitória, mostrando que sentar no trono e mantê-lo são desafios completamente diferentes. Colocando novas peças no tabuleiro deste jogo de Cyvasse (o equivalente ao xadrez em Westeros) chega Ormund Hightower (o excelente James Norton), primo de Alicent (Olivia Cooke) – um sujeito afeminado que não suporta cheiros fortes. Aquartelado com suas tropas em Tumbleton, ele conspira à distância contra Rhaenyra com o objetivo de colocar o sobrinho Daeron Targaryen (Benjamin Evan Ainsworth) no trono, como forma de ele próprio assumir, dos bastidores, o domínio dos Sete Reinos.
Em paralelo acompanhamos a sofrida trajetória do deformado e deposto Aegon II Targaryen (Tom Glynn-Carney), que acompanhado pelo insidioso Larys Strong (Matthew Needham), sofre todo o tipo de humilhações até reencontrar seu dragão Sunfyre. O momento em que ele e o dragão dourado (que, assim como ele, também ficou desfigurado após a Batalha do Ninho das Gralhas) confrontam um destacamento da Casa Mooton, é um dos pontos altos da temporada. É difícil, ali, deixar de torcer por um personagem que, até então, era retratado como um dos vilões da série.
A temporada culmina no caos da Batalha de Tumbleton, um espetáculo de carnificina que novamente ilustrou o quão incontroláveis os dragões (e seus montadores) podem ser, onde o humilhado Ulf (Tom Bennett) lança Asa Prata tanto contra as tropas de Daemon como as de Ormund. Mas o momento que mais permanecerá na memória dos espectadores é o combate entre Ormund e Sor Roderick Dustin, personagem secundário que ganhou maior proeminência graças à interpretação carismática de Tommy Flanagan. O duelo combina horror, violência e humor, culminando na já célebre “Enrabada Nortista” desferida por Roderick em Ormund, um pouco antes de os dois serem assados pelas chamas de Asa Prata.
Mas esta 3ª temporada não está isenta de problemas, decorrentes principalmente do grande número de personagens e a impossibilidade de desenvolver muitos arcos a contento. O fim da trajetória de Sor Criston Cole (Fabien Frankel) é decepcionante, com ele morrendo rapidamente após ficar interminavelmente perambular com seus homens em um pântano. Alicent também não tem muito o que fazer além de basicamente servir como escada para a trajetória de Haelena (Phia Saban), que por não resistir ao cativeiro imposto por Rhaenyra, ao final se joga da janela de seu quarto. E o que dizer do arco de Aemond (Ewan Mitchell) em Harrenhal com Alys (Gayle Rankin), que na essência é o mesmo de Daemon e que foi o ponto baixo da 2ª temporada? Pelo menos ele se encerra de forma satisfatória com o reencontro e reconciliação dele com Aegon II, que irão unir suas forças (e dragões) contra Rhaenyra.
E temos, claro, todo o “mimimi” sobre as diferenças da série em relação ao livro Fogo e Sangue, que inclusive levaram o autor George R.R. Martin a romper com Ryan Condal, mas sobre isso tenho opinião similar à de Game of Thrones. Sim, a adaptação continua a tomar simplificações e liberdades criativas, mas em sua maioria elas enriquecem a experiência televisiva e preenchem as lacunas deixadas pelo estilo histórico do livro. Fogo e Sangue é escrito a partir da perspectiva do Arquimeistre Gyldayn, que se baseia em fontes altamente não confiáveis (como o bobo Cogumelo e o Septão Eustace). O livro frequentemente apresenta três versões diferentes para o mesmo evento, enquanto a série opta por dramatizar e contar a “verdade objetiva”. Se isso, por um lado, elimina a ambiguidade do livro, por outro cria uma narrativa muito mais focada e trágica.
No livro, tanto Rhaenyra quanto Alicent rapidamente se tornam figuras amargas, cruéis e quase caricaturais em sua sede de sangue à medida que a guerra avança, enquanto a série se esforça para mostrar as nuances de suas decisões, focando em como elas são, em muitos aspectos, vítimas das maquinações dos homens ao seu redor e do peso esmagador de suas posições, hesitando muito mais antes de cometer atrocidades. Talvez a série peque em, pelo menos até o segmento final desta temporada, colocar Rhaenyra no papel de heroína, relegando Alicent automaticamente ao de vilã – algo que, até pelo que o programa busca mostrar -, não é o mais correto.
Já quanto ao desenvolvimento dos “Sementes de Dragão”, personagens como Hugh Martelo (Kieran Bew) e Ulf, o Branco, são retratados no livro de forma bastante unidimensional como brutamontes gananciosos e traiçoeiros. Já a 3ª temporada da série dedicou muito mais tempo de tela a eles antes de Tumbleton. Ao explorar suas origens humildes, suas motivações e o efeito inebriante de receberam o poder de deuses, a traição final deles (ou pelo menos a de Ulf, mostrada até agora) se tornou muito mais complexa e dolorosa. Resta torcer para que Ryan Condal não se deixe envolver pelo excesso de espetáculo e simplificação das temporadas finais de Game of Thrones e conclua a série de forma satisfatória, mostrando a “Dança dos Dragões” como ela realmente é – não apenas uma guerra por poder, mas sim uma tragédia grega sobre o fim de uma dinastia e o crepúsculo da era dos dragões.
As três temporadas de A Casa do Dragão estão disponíveis no streaming HBO Max com vídeo 4K/HDR/Dolby Vision e áudio original Dolby Atmos para os assinantes do plano Platinum.
Jorge Saldanha
#ACasaDoDragão #AbubakarSalim #AmandaCollin #BenjaminEvanAinsworth #BethanyAntonia #ClintonLiberty #DanFogler #Destaques #EmmaDArcy #EveBest #EwanMitchell #FabienFrankel #FreddieFox #GameOfThrones #GayleRankin #GeorgeRRMartin #HarryCollett #HBO #HBOMax #HouseOfTheDragon #JamesNorton #JeffersonHall #KieranBew #Livros #MattSmith #MatthewNeedham #OliviaCooke #PhiaSaban #PhoebeCampbell #RaminDjawadi #ReviewSériesESeriados #RhysIfans #RyanCondal #SimonRussellBeale #SonoyaMizuno #SteveToussaint #TomBennett #TomGlynnCarney #TommyFlanagan -
Review de Série: FOR ALL MANKIND – 5ª Temporada
For All Mankind – Season 5 (2026)
Elenco: Joel Kinnaman, Cynthy Wu, Meirelle Enos, Coral Peña, Edi Gathegi, Toby Kebbell, Sean Kaufman, Ruby Cruz, Edi Gathegi, Wrenn Schmidt, Costa Ronin, Krys Marshall, Svetlana Efremova, Daniel Stern, Ines Asserson
Criação: Ronald D. Moore, Ben Nedivi, Matt Wolpert
Direção: Vários
Cotação: 3,5/5,0ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido a 5ª temporada de For All Mankind, o texto a seguir contém alguns SPOILERS.
SINOPSE
Em 2012, nove anos após o roubo do asteroide Cachinhos Dourados, a colônia Vale Feliz, em Marte, prosperou substancialmente. No entanto uma rebelião armada no local, provocada por interesses corporativos, colocará em risco a histórica missão tripulada em busca de vida na maior lua de Saturno, Titã.COMENTÁRIOS
Com a confirmação de que a vindoura 6ª temporada de For All Mankind será a última, não tem como deixar de pensar de que os eventos deste 5º ano preparam o terreno para algo que, no contexto desta realidade alternativa onde a União Soviética colocou o primeiro homem na Lua e a exploração espacial deu um salto exponencial, será no mínimo gigantesco. O que cria um grande problema para os realizadores, em termos de atender às expectativas que eles mesmo criaram.Como já se antevia na temporada anterior, a colônia marciana Vale Feliz ocupou o centro da trama, sendo palco de momentos de tensão e violência graças à descoberta, pelos habitantes locais, de que as nações e corporações que administram a operação pretendem automatizar os trabalhos e e levar os trabalhadores de volta à Terra. Isso dá origem a uma nova, e aparentemente definitiva, revolta em busca de autonomia. No meio disso tudo o veterano ex-astronauta Ed Baldwin (Joel Kinnaman), com câncer terminal, enfrenta o peso de suas decisões e o próprio envelhecimento, enquanto a nova geração de sua família, representada pelo jovem Alex Baldwin (Sean Kaufman), o substitui como elemento propulsor da narrativa.
Aliás, além de Baldwin, a atenção dispensada a outros jovens personagens como Lily (Ruby Cruz) e a marine Jarrett (Ines Asserson) demonstra o esforço da produção em focar em uma nova geração, que deverá conduzir as ações na temporada final. Isto, no entanto, é feito boa parte do tempo em episódios arrastados em seu terço intermediário (uma maldição que aparentemente afeta 90% das atuais narrativas serializadas). Muito, mas muito tempo mesmo, é gasto no desenvolvimento desses personagens e principalmente na preparação da guerra aberta pelo controle de Vale Feliz, que acontecerá apenas nos episódios finais.
Alex (Sean Kaufman), Lily (Ruby Cruz) e Jarrett (Ines Asserson): a nova geração de For All MankindEste foco muitas vezes excessivo no conflito marciano (ou em seu prelúdio) sacrifica outras coisas que gostaria de ver mais na tela, como o complexo de mineração no Cachinhos Dourados ou mesmo algo substancial das Nações Espaciais Independentes (ISN), organização da qual faz parte o Brasil e que, para a exploração espacial e a colonização de Marte, equivale aos BRICs da nossa linha de tempo. A ênfase nos dramas e disputas geopolíticas acaba suplantando um dos aspectos que mais me agradam na série (além da elevadíssima competência técnica para a criação realista de seu mundo) e que até justifica seu título – a exploração espacial, o mergulho no desconhecido e a possibilidade de não estarmos sozinhos no cosmos.
Felizmente, além de ser o palco da rebelião em Vale Feliz, Marte serve como ponto de partida para a missão tripulada mais ambiciosa mostrada na série até aqui, a expedição rumo a Titã, que tem como piloto Kelly Baldwin, a filha de Ed e mãe de Alex. A chegada da nave Sojourner à lua de Saturno, que acontece apenas no final do episódio sete, é um dos pontos altos da temporada, que para mim só é suplantado pela conclusão do season finale. Enquanto as comunicações estão interrompidas devido à guerra, os astronautas fazem a descoberta científica mais importante de todos os tempos: células microbianas baseadas em metano, e não em carbono, o que prova que nem toda a vida se desenvolveu no universo da forma como concebemos.
Após a cessação das hostilidades, as transmissões da Sojourner chegam a Marte e à Terra, revelando não apenas a histórica descoberta, mas também a trágica morte de Kelly, que devido à escassez de oxigênio para que todos os três astronautas retornassem à nave, decidiu se sacrificar e ficar no local da descoberta. Em sua última imagem vemos a piloto entrar em um lago de metano, sendo lentamente cercada por micróbios bioluminescentes.
Como de hábito, na cena final do episódio há um salto temporal, agora para 2020, revelando uma nave espacial abandonada, a Mars-94, originalmente enviada a Marte durante a corrida espacial da 3ª temporada, voltando repentinamente a funcionar. O computador da nave inicializa com um texto em russo fazendo referência a “Nikulov” – provavelmente se referindo a Sergei Nikulov, o falecido contato e amante de Margo Madison (Wrenn Schmidt), ou pelo menos a algum projeto relacionado a ele.
Sem dúvida um gancho intrigante para a fase final do programa, que poderá (ou não) se relacionar à possibilidade de que o universo esteja coalhado de formas de vida distintas, inclusive inteligentes. As cinco temporadas de For All Mankind estão disponíveis no streaming Apple TV, com imagem 4K HDR/Dolby Vision e áudio Dolby Atmos sem custo adicional para o assinante – algo que sempre gosto de destacar.
Jorge Saldanha
#AppleTV #CoralPeña #CostaRonin #CynthyWu #DanielStern #Destaques #EdiGathegi #ForAllMankind #InesAsserson #JoelKinnaman #KrysMarshall #MeirelleEnos #ReviewSériesESeriados #RonaldDMoore #RubyCruz #SeanKaufman #SvetlanaEfremova #TobyKebbell #TynerRushing #WrennSchmidt -
Arraial encantado transforma cultura maranhense em livro infantil
-
‘Síndrome de fim de ano’ também impacta crianças e jovens