Eleições 2026: “Preciso do seu otimismo”
Foi o que me disse a amiga no Signal na madrugada seguinte ao dia 4 de outubro de 2026. Ela está 4 horas à frente do Brasil.
As pessoas me tem como otimista, mas me vejo de outra forma, me acho positivo. Tanto o otimismo quanto o pessimismo se descolam da realidade, um se recusando a ver os problemas e o outro, naturalmente, inventando-os onde ainda não estão e podem nunca vir a estar.
Ser positivo, no meu caso, é não antecipar (bem, procurar não antecipar, certo? afinal a mente instintivamente procura se preparar para o pior) os problemas, mas me preparar para achar caminhos caso eles venham e buscar trilhas seguras quando os problemas se concretizam.
Para ficar claro, no caso das eleições, temos câmaras e senado povoados pelo que tem sido chamado de extrema direita conservadora (se é de fato direita ou conservadora não é objeto desse post) e podemos ter um presidente alinhado com esse grupo ou um que procura se contrapor. O meu realismo sugere considerar o primeiro caso como mais provável, que é o que perturba a amiga em questão e praticamente todas as outras pessoas ao meu redor. É a tal da polarização.
O objetivo desse post é compartilhar a resposta que mandei para a amiga, mas achei necessário fazer uma introdução e fazer uma observação que tenho abordado mais no meu site sobre a sociedade cibernética e ciberpunk em que vivemos, o Meme de Carbono:
O papel oligárquico das mega corporações cibernéticas (Meta, Alphabet e outras) tem sido subestimado, mas é flagrante seu papel político e poder para influenciar a sociedade radicalizando, polarizando, instaurando desesperança entre as pessoas, “algoritimizando” mais aspectos das nossas vidas coletivas e pessoais do que cabem em um post e menos ainda em um blog, mas deixo a recomendação de pensar que “não é a pessoa ao lado que se tornou má, a pessoa ao lado, e você também, está sofrendo a influência do ciclone dos algoritmos da Internet morta.
Dito isso, vamos à minha resposta para a amiga, que espero que seja útil para você também.
O meu otimismo…
TL;DR
O mundo pode estar uma merda e piorando, mas temos caminhos para vivermos bem nos cantos do mundo e criar espaços seguros pra nós e algumas pessoas próximas.Isso é o que posso oferecer de positivo 😮💨
Ah, amiga… Sou uma pessoa positiva que procura sempre os caminhos e possibilidades positivas nas coisas. Como no símbolo do Taichi: dentro da sombra está a semente da luz e vice-versa. Mas não me considero otimista, que é achar que vai ficar tudo bem simplesmente porque é no que se quer acreditar.
O cenário todo é muito ruim e não tenho nada de positivo para falar sobre ele, mas tem outras coisas onde vejo que podemos nos abrigar. Vou deixar pro final porque, de uma coisa eu tenho certeza: tudo é mais difícil quando nosso espírito está quebrado.
Esse colega de Fediverso (parte da Internet viva) tem uma análise boa e até uma visão de caminho no segundo post:
https://comuna.social.br/notes/aryn53swab
Agora, o cenário na minha opinião.
A grande vitória é dos oligarcas das mega corporações cibernéticas, que, desde antes do Brexit, estão influenciando a sociedade sem serem devidamente percebidos.
A maioria das pessoas progressistas culpa quem votou no fascismo assumindo que essa parte da população é má e pronto. Essa talvez seja a maior vitória desse campo oligarca: não tem como chegar em alguém que consideramos essencialmente mau e assim fica cimentada a polarização. A propósito os dois grupos sociais parecem estar muito convencidos da maldade pura do outro.
Por tudo isso acho muito difícil o Lula virar o resultado. Tive até um princípio de crise de ansiedade. Mas se alguém pode virar é ele.
Só que, ainda que vire, o país está mais dominado por servos dos oligarcas (tô procurando uma definição melhor que fascistas) que antes e acho muito difícil reverter isso nas próximas eleições se os oligarcas não perderem poder.
Isso é o ruim que acho muito difícil de evitar.
O que tenho de positivo a dizer é apenas no campo individual:
- Temos como sobreviver;
- Podemos sair do campo de influência dos oligarcas;
- Podemos levar algumas pessoas conosco e podemos achar novas pessoas;
- Espaços livres on-line tem crescido como alternativas ao Google, às mídias sociais (acho que a maioria das pessoas nem devia buscar redes e mídias sociais online e deviam fortalecer as redes offline), aos sites mortos (tenho alguns links na página de recomendações do Meme)